domingo, 4 de outubro de 2009

Das Marionetes

Há divergências sobre a origem do teatro de Marionetes, ou marionetas, como preferirem. Indícios supõem que essa forma de arte pode ter surgido contemporaneamente tanto na Franca quanto na China.Foi nesse ultimo, no entanto, que a arte mais se desenvolveu, atrelando-se a óperas em grandes espetáculos públicos. Contudo não e' meu objetivo fazer um ensaio científico acerca do assunto. Proponho uma analise simbólica do teatro.
O período que as marionetes vão surgir, tanto na China quanto na Franca (Século XVI, XVII), caracterizam-se pelo domínio de certas instituições sobre a vida privada. Sejam governos, seja a igreja, regras eram impostas a sociedade para que ela permanecesse com sua ordem social inalterada. Essas regras ou dogmas eram como os fios que mantinham o povo de fantoche, sob controle. Assim,o teatro de marionetes surge como uma representação simbólica desse domínio,mas que ao invés de alertar o povo contra a subjugação, ludibriava-o, pois era com essas peças que procurava-se entreter as mentes revolucionárias .Os fios,porém, eram tão perceptíveis que o povo uma hora dar-se conta, percebe e sente os efeitos do domínio,se revolta e corta os fios grossos que o controlavam.
Acha difícil encontrar marionetes no mundo de hoje? Acho que você não se considera uma, não e’?
O que mais vejo e' a história do Pinóquio às avessas. Nessa, e' o homem que vai virando madeira. E não e' uma doce fada madrinha que realiza essa transformação. Mídia, governos, Pessoas nos manipulam, ou tentam, o tempo todo. São nossos Mestres de marionetes.
Esses fios, ao contrario do nosso outro exemplo, na maioria das vezes são quase que imperceptíveis. Não se sente a transição da pele para a celulose. Não percebemos que pertencem ao mestre os sons que saem da nossa boca. Nossas gírias, nosso discurso, agora são as gírias e o discurso dele.Não sentimos os finos fios que movem nossas articulações e nossos atos, pois já não sentimos mais nada, somos madeira, e madeira morta.
Os olhos, os ouvidos, o sorriso, tudo está muito bem desenhado numa beleza mística, mas por dentro não há nada alem da maciça madeira podre.
Quando acaba o espetáculo, as vaias ou aplausos parecem ser para os fantoches, mas são na verdade para o Mestre. Nós , voltamos ao caixote onde somos guardados, reduzidos a insignificância que não notamos. Inertes, incapazes, indefesos.
Um dia o Mestre se cansa da gente, ele precisa de truques novos para agradar o seu exigente público. Tira você do seu confortável caixote e te coloca na fogueira.
E' só agora que você percebe o que era. Mesmo sem vida, no fogo a madeira estrala, agoniza, percebe como e para que foi usada. Consegue lembrar-se da vida humana que viveu, e poderia ter vivido mais se não fosse tão fraca em seus princípios. Mas já e' tarde, embora arrependida o que foi feito não muda. Agora somos só Cinzas.

8 comentários:

  1. Nossa Túlio, o final foi muito trágico, quase chorei aqui.
    O texto foi bem escrito, gostei da escolha do tema, mas acho que o modo como você transpôs sua idéia ficou um tanto emo.

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  2. kkkkkkkkkkkkk
    Não, nada de emo não. Até porque não sofro desse mal, a terceira pessoa foi só pra fazer quem sofre disso realmente sentir, o que muitas acaba não acontecendo né...!
    mas gostei do comentártio!

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  3. Aê, finalmente uma nova postagem!
    Sabe que nunca passou minha cabeça fazer essa comparação? Mas ficou genial. Parabéns!

    Ps: não deixe o blog tão abandonado.

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  4. rpz...parabens pelo texto
    realmente,e um otimo tema para se escrever...ngm nunca para pra pensar sobre isso...e qdo menos espera,vc olha ao seu redor,e axa o mestre e seus marionetes,dando um "show" para seus amigos e ate mesmo pra voce.

    é um otimo texto pra fazer algumas pessoas refletirem a respeito de seu comportamento,com quem estou lhe dando,se estou fazendo o certo.
    espero q ajude mta gente ;D

    parabeens boesao

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  5. Tuuuuulio!
    nunca tinha vindo aqui!
    adoreei esse texto!
    txoow viu!
    depois vou ler os outros
    beijs

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  6. ''A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios...'' assim disse o genial Charles Chaplin...
    mas por que não poder ensaiar? creio que ele disse isso pelo fato de ver muitas pessoas ensaiando demais a vida e ATUANDO de menos...

    quando ensaiamos, estamos batendo um SCRIPT que outra pessoa fez para nós, enquanto a verdadeira beleza do teatro da vida é o improviso e é ele que define a destreza do ATOR!

    Fico atônito toda vez que penso nisso, não pelo fato de saber que isso existe, mas sim, pelo fato de perceber esses FIOS manipulando e posteriormente sendo cortados para amarrarem outras marionetes....graças, é claro, às maravilhas do replay da nossa mente!
    como o essencial é invisível aos olhos(Antoine de Saint-Exupéry), precisamos de muita atenção e flash-back para ver os SCRIPTS da vida sendo postos em prática.

    embora não sendo um noveleiro assíduo, a última novela das 8 ( caminho das índias) nos fez refletir sobre a existência ou não de pscicopatas e como eles agem em sua manipulação, essa que passa despercebida...
    tão despercebida que em nossa curta república, tivemos(e para alguns até hoje temos) um período de populismo que visa(va) se aproximar das massas para depois manipulalas...mas não precisamos viajar muito na história não! basta ligarmos a TV na globo para nos tornarmos marionetes...afinal, como já reproduziu o grande Cid Moreira ,antes de sua aposentadoria, no jornal nacional: '' tudo na globo é tendencioso e manipulado...'' ( Direito de resposta de Leonel Brizola)

    Para finalizar eu quero dizer que mais comum do que pensamos, existem pessoas definidas em francês como portadoras de "insanité sans délire" (insanidade sem delírio) ou,''insanidade moral". Termo esse utilozado para descrever indivíduos com marcado egocentrismo que não têm deferência normal pelas outras pessoas, manipulando-as, como quer seja necessário, para atingir seus objetivos. Suas armas são principalmente o charme e a sedução.

    sim... e completando a frase de Charles Chaplin do início do post: ''... ANTES QUE A CORTINA SE FECHE E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS!''

    (8) Se liga na moral, abre o olho, quem vai na cabeça dos outros, é piolho.... (8)

    As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.

    Lilian Tonet

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  7. Muito inteligente esse seu pensamento!
    fantastico as colocações e o
    modo como vc transmitio essas ideias;
    otimo texto,

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