segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A viagem não acaba nunca

-Faltam quantas cidades?
Era com essa pergunta que eu e meus irmãos pertubávamos nossos pais nas viagens que fazíamos quando eramos mais novos.
Eramos criancas barulhentas,teimosas,briguentas:tinha umas arengas que o banco de trás ficava pequeno.Mas mesmo assim, meus pais nunca deixaram de viajar conosco.Seria fácil de entender se preferissem nos deixar na casa dos avós ao invés de percorrer conosco o Nordeste brasileiro.Se fizeram isso algumas vezes, foi por que realmente nao podiam nos levar. Sabe aquela história de segunda lua-de-mel, nao é? Digamos que meus pais ja tiveram algumas...
Mas voltando. E o destino dificilmente era pro'ximo,pelo menos para gente. A hora não passava, e lá vinha a pergunta de novo.
- Faltam quantas cidades?
- Só uma, meu filho, e depois já é Salvador.
Pois é, meus corajosos e pacientes pais nos levaram de Mossoró até Salvador de carro, isso ainda no se'culo XX.Algo muito planejado? Nem sempre, tinha cidade que a gente chegava e nao sabia nem se tinha hotel vago.Mas foram as sempre boas viagens improvisadas por meu pai que me fizeram, com pouco mais de dez anos, já conhecer todas as capitais nordestinas.Pode ser pouca coisa para você, mas costumo me vangloriar disso.
Viajar por aí desde cedo não me trouxe apenas conhecimento, experiências, momentos em familia. Mais do que isso, as viagens me despertavam ainda mais vontade de viajar.Crescemos,nos mudamos para Natal e as longas viagens de carro ficaram cada vez mais raras.Foram substituídas pelas agora já curtas e constantes viagens a Mossoró, onde iamos rever os parentes deixados ha' pouco tempo.
Mas paramos de nos aventurar? Não,os novos destinos exigiam novos meios. As asas me levaram ao Rio, a Sao Paulo, ao outro Rio Grande.Já movido pela paixão do desbravar,convenci meus pais a me deixarem partir sozinho, para fora do país, mesmo que por pouco tempo. O monstro da vontade que eu tinha, e que eles mesmos alimentaram, foi mais forte que o medo que sempre reside nos corações paternos, e parti.Fui morar na minha terceira cidade diferente.
Ontem, voltando de mais uma viagem que fazíamos, a velha pergunta me veio novamente. Quantas cidades ainda faltam? Quantas cidades ainda me faltarão conhecer? Em quantas ainda morarei? Quantas ainda vou redescobrir? Uma frase atribuída a Luís Fernando Veríssimo, diz que: "Quando pensamos que sabemos todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas."
'As vezes nem é preciso que a pergunta mude. Basta reconhecermos ,nos diferentes momentos de nossa existência, os diferentes sentidos que aquela mesma pergunta assume. É como se conhecessemos uma cidade no inverno e a redescobrissemos no verao. Viu como a vida é uma viagem? Mas cuidado, porque como ja' disse Saramago: "A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam"

7 comentários:

  1. ...constatei que somos todos uns deserdados das opíparas putocráticas invólucras do entardecer ...

    Agora é fato que Mais valem duas pedras no meio do caminho do uma no rim...

    se observarmos, pra todo lado que vemos tem-se uma viagem: Pra quem tá indo, quem vem vindo na verdade é quem tá indo.

    continue assim Túlio....Onde Houver certeza que você Leve a Dúvida...

    O resto deixa como está, pra ver como é que fica.

    (algumas frases do sábio FALCÃO)

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  2. Viagens são sempre boas, agradáveis, ousadas, improvisadas. Quando chegamos a uma nova cidade, é como se fossemos bebês abrindo os olhos para o mundo pela primeira vez.

    Gostei do texto!

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  3. Então, tá a fim de conhecer todas as capitais do resto do Brasil? Ou da America do Sul? Ou que sá de toda a europa?

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  4. tou emocionado com o seu talento!

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  5. Ótimo túlio, em minha humilde opinião seu texto melhorou muit em relação aos últimos... retirou boa parte das repetições, to meio sem tempo pra retomar os outros, mas uma falha que havia detectado era essa. Abraço!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. "A viagem não acaba nunca, só os viajantes acabam"

    (y)Beleza de texto ,

    ..seres humanos.impacinetes ..

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