segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma consciência em construção

A primeira manifestação política de que me recordo foi em meados do ano 2000. Rosalba Ciarlini comemorava sua reeleição para a prefeitura de Mossoró. Da estratégica calçada dos meus avós na Alberto Maranhão, lembro de observar os carros com as bandeiras vermelhas que tremulavam a rosa símbolo. O alvoroço não me fazia bem, tinha certa agonia de aglomerados; só pensava que meu pai nunca ia conseguir tirar o carro de onde estava estacionado e que dificilmente voltaríamos para casa.
A administração de Rosalba foi reconhecida por muitos como benéfica a Mossoró. E, embora novo, eu conseguia notar muitos desses benefícios. Via as praças sendo restauradas, Ginásio e Teatro sendo construídos, e um junho sempre muito cheio de festas que eu nunca ia.
Entretanto, à medida que fui crescendo fui entendendo por que, mesmo com todas essas melhorias, meu pai nunca votava em Rosalba ou em sua rede oligárquica. Minha consciência política começava a brotar aos poucos.
Da primeira vez que me explicaram o panes aet circum de Otavio Augusto, não foi o exemplo romano que me fez entender perfeitamente a lógica da política. Foi o exemplo próximo do governo Rosalba que me fez nunca esquecer o conceito. As praças e festas enganavam a criança, mas já não ludibriavam o jovem com o mínimo de consciência adquirida.
Consciência essa que foi crescendo aos poucos. Em 2002 ela já era suficiente para saber o que a vitória de Lula representava. Mas teve que se esforçar e crescer bastante para entender a sucessão de escândalos que o governo criava, ou deixava criar. Mensalões, CPIs, Duda Mendonça, Marcos Valério, Renan Calheiros, Jose Sarney. Se todos esses escândalos têm uma coisa de que se possam orgulhar é de que eles formaram uma boa leva de mentes preparadas para não suportá-los mais. Posso vê-los sim como parte de um processo de amadurecimento político da democracia brasileira, porque sinto um amadurecimento na percepção de muitos jovens que conheço. É certo de que poderia haver mais consciência, e que o ideal é que se formasse essa percepção sem a necessidade de se pagar um preco, mas ainda vejo que todas essas falcatruas foram importantes para a formação de um pensamento político crítico dessa nossa geração.
Seria leviano demais dizer que posso entender todo o jogo político, de que minhas percepções estão todas formadas e consolidadas. Não sou nem quero isso. Sei que posso e provavelmente devo mudá-las, amadurecê-las, todo mundo deveria ter isso em mente, principalmente nós jovens.
Por fim, mesmo com tudo de ruim que vejo dentro dela, posso dizer que a política ainda me desperta muita fascinação. Próximo ano pretendo me filiar a algum partido. Acho que no fundo quero isso para ver se eu me desiludo de vez com a politicagem; para ver se acabo com a esperança de podemos dar um jeito nela.Mas, enquanto essa desilusão não vem, só me resta aproveitar a esperança que ainda guardo, está um pouco cedo pra deixá-la acabar. Vamos sonhar um pouco.

Ps. Queria mandar um salve para as pessoas que leram e gostaram do primeiro post. Esse segundo vai para elas.

5 comentários:

  1. cada vez eu fico mais impressionado.
    to sem palavras.

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  2. Parabéns pelo texto Túlio. E pela consciência é claro! Partilhamos do mesmo pensamento! Muito bom mesmo :) (Bianca Trindade)

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  3. Túlio realmente a leitura é um dos melhores pratos degustativo para o intelectual. Você demonstrou não somente ser bastante aplicado na leitura, como está tirando bons proveitos dela. Existem pessoas aplicadas e pessoas inteligente. Você além de aplicado é bastante inteligente, com um escrita fácil, escorreita e concisa. Parabém! Siga em frente o mundo precissa de boas mentes.

    GILBERTO CARVALHO

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  4. muito bom texto tulio!
    Concordo plenamente que tudo que tem acontecido na política contribui para um crescimento da consciência crítica de muitos jovens que se permitem crescer.
    Vamos à luta!
    abraços!

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  5. Bacana o texto :D,

    ..Mas não entendo nada de politica,
    e nunca fui há nenhuma manifestação ..

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