terça-feira, 30 de março de 2010

Parte do que somos

Estudar História me fascina, todos sabem. Se tivesse um pouco mais de coragem talvez tivesse escolhido cursar História ao invés de Direito. Mas nada de arrpendimentos.Não é objetivo dessa postagem, entretanto, discutir Getúlio Vargas, Napoleão Bonaparte ou Barack Obama.
Quero tratar aqui daquela história que está bem mais próxima de nós, que não necessita de nenhum museu para se estar diretamente em contato com ela, mas que a maioria relega ao esquecimento e desimportância: a nossa História Familiar. Você sabe de onde seu avô é? como veio parar aqui? e seu tio como foi morar tão longe? Porque voltou? como foi que seu pai pediu sua mãe em casamento?
O que você é, tudo que você está fazendo hoje, depende em igual escala tanto da derrota de Hitler na Segunda Guerra quanto do dia que seu avô mudou de cidade e conheceu sua avó!
Parece genérico, mas não é. Você simplesmente poderia nem existir se alguma das duas coisas não tivesse ocorrido.
Contudo, e isso se deve muito ao fato de termos sidos obrigados a aprender, sabemos razoavelmente bem como e porque Hitler foi combatido e derrotado; Conseguimos ver até claramente a influência que aquele fato ocorrido em espaço e tempo distantes tem para o nosso cotidiano, mas não damos a mesma relevância a história familiar. Não sabemos nem porque vovô mudou de cidade ou o que fez ele conhecer vovó. Não nos damos conta que aprendendo uma história fica muito mais fácil aprender a outra, relacionando a conjuntura geral ao ocorrido particular.
E por que danados deveríamos saber isso? eles já se conheceram, mamãe já nasceu e depois eu vim. Por que esse saber será útil? Pensando assim, incorremos no mesmo erro dos que abominam o estudo da História na escola.
Um dos argumentos dos histriadores para enaltecerem sua ciência é que devemos conhecer a nossa história para não incorrermos novamente em erros do passado e tomarmos de exemplo o que foi feito de certo.
Conhecer como seus avós, tios, pais pensavam e o que fizeram é ainda mais gostoso do que saber as ações dos grandes personagens da história. Podem-se tirar lições tão valiosas quanto a que aprendemos nos livros acadêmicos, com a graça de ainda poder descobrir um apelido totalmente estranho que sua tia tinha quando era adolescente. Você se vê mais próximo do acontecimento; percebe como as concepções sobre o que está ao seu redor podem mudar tanto de uma geração para outra; recebe aprendizados de vida; descobre os mistérios que fizeram aquela pessoa ser daquele jeito, como a conhecemos hoje.
Um dos livros mais magníficos que já li, Cem Anos de Solidão, mostra a saga de uma família ao longo de várias gerações.Nela, falando de família se fala de amor, traição, amizade, loucura, tragédias, alegrias, casos únicos e espetaculares.
A sua também guarda tudo isso, e você não precisa ir nem tão longe para descobrir.

terça-feira, 9 de março de 2010

Dos Perfumes

Desde sua origem egípcia os perfumes vêm sendo apreciados pelos homens. A busca pela combinação perfeita de ingredientes que levariam as fragâncias mágicas era realizada por sacerdotes e químicos que depois de produzi-las, as forneciam a faraós e reis.
Os perfumes, pasmem, foram os responsáveis pela primeira greve da história da humanidade, que se deu quando soldados do faraó Seti I pararam de fornecer unguentos aromáticos para os sacerdotes.
O mágico do cheiro, dentre outras invencões metafísicas da humanidade, é como ele consegue despertar sensações no nosso organismo mesmo sem ser algo palpável. Arrepio, bem-estar, repudia, lembranças. Um simples aroma pode levar abaixo todo o nosso sistema límbico.
Estudando-os, percebemos que as fragâncias possuem também seu lado humano. Os perfumes possuem Notas.
A Nota de saída é a impressão inicial, o aroma que sai para despertar o interesse, aquele que sentimos quando ainda se pode ver o líquido escorrendo sobre a pele. Não é essa impressão, contudo, que se perpetua. Logo aparece a nota de corpo,ou de coração. Assim que o perfume desaparece sobre a pele podemos senti-la, contém o tema principal da fragância e é bem menos volátil do que as impressões iniciais. O que vai garantir que o cheiro continue por muito tempo e se espalhe sobre a pele é a Nota de fundo, é essa última que garante a fixação.
As vezes conhecemos pessoas que tem uma ótima Nota de entrada, sabe aquele cheiro de bem-estar da lavanda que colocamos antes de dormir? O problema é que quando acordamos o cheiro já se foi faz tempo, não há resquício nenhum dele sobre a cama. Para os perfumes isso não é defeito, já que queríamos o cheiro só para ir dormir bem; mas com pessoas que só possuem uma boa Nota de saída nunca sabemos quando podemos contar ou não. Elas estão por todo canto e vendem barato.
O contrário, lógico, também ocorre. Outro dia provei um perfume que de tão doce achei que ia me dar diabetes, mas o caráter enjoativo saiu. Em seu lugar ficou um cheiro extremamente agradável e duradouro. O que agradava nele eram as Notas de corpo e de fundo. O mesmo ocorre quando descobrimos que a primeira impressão que tinhamos de alguém se desfaz nos encontros seguintes; há uma reticência maior pra saber se realmente presta ou não,de tão caros que são parecem não valer a pena, mas acabamos "comprando" e não nos arrependendo.
E os que além de uma boa Nota de saída possuem corpo e fixação? umm, quem tiver dicas desses que me amandem. Eu tenho várias pra vocês, tanto de perfumes quanto de pessoas, graças a Deus.
Não acharei aqui para cada personalidade com um tipo de fragância, deixo isso para vocês. Mas não vão colocando todo mundo dentro de frascos de vidro. Somos humanos, não nos quebramos e nos perdemos pra sempre; e se nos esvaziamos, não adianta comprar outro igual, nunca vai ser o mesmo cheiro.

De qualquer jeito, voltar a escrever está me cheirando muito bem!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Espírito de Natal

Fim de ano é para muitos a época mais bonita do ano. Não só pelas ruas, lojas, shoppings que estão todos decorados com os enfeites natalinos. Mas pelo que esse clima desperta ou pelo menos tenta despertar em nós: o espírito de Natal.
No meu prédio, colaram nos elevadores uma mensagem de Natal que assim se inicia: "Sugestões de presentes de Natal.Ao seu inimigo, perdão".
Vamos começar pelo começo. Inimigos, você tem algum? Até esse ano pensava ser um erro cultivar inimizades, ter desafetos. Descobri que estava certo, as inimizades você não cultiva. Elas simplesmente aparecem.São como o capim que nasce em sua grama sem você regar. Pode ser por um motivo tolo;divergência de valores, algo complexo; um erro não perdoado; uma desculpa que faltou. Um erro só seu ou só dele, na maioria das vezes dos dois.
Não vou fazer aqui você correr atrás de inimigos, principalmente nessa época, me crucificarião. O que quero deixar é que a medida que nossa personalidade vai se fortalecendo, nossos ideais vão se consolidando, fica difícil concordar com tudo que todos fazem. Discordâncias aparecerão, nem todo mundo vai gostar de você e você não vai gostar de todo mundo. É a diferença que nos une e também desune. O que não significa também desejar o mal alheio, querer briga. Se não gotsa de alguém, se afaste, tire a coisa de sua vida. Isso vai bastar.
Vamos então a segunda parte. Assim, porque é Natal vamos nos reconciliar com todos. Esquecer o que foi os erros, começar de novo, perdoar? Será esse perdão realmente válido. Ele virá do coração ou da pressão do contexto. Para mim se você reconciliar-se com alguém só porque é Natal é mais fácil que na Virada do ano vocês já estejam atritados novamente, deixemos de hipocrisia.
O perdão tem que ser mútuo e verdadeiro para existir. É algo extremamente difícil e que só vem com o tempo, não com uma noite, por mais diivina e especial que seja.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Discurso para Descerramento da Placa

Segue o discurso que fiz para o Descerramento da Placa da Turma concluinte 2009 do CEI.

Srs. Diretores, Coordenadores, Mestres, Pais,formandos, enfim, caros amigos

Mesmo antes de estudar aqui, o CEI já ascendia em mim sentimentos. Nas viagens que fazia com a família para Natal, o colégio que ficava no caminho para casa da minha avó surpreendia pela grandiosidade. A escadaria imponente, os prédios que subiam ladeiras, tinha até uma praça só para ele, pensava a cabeça inocente de criança. Diziam ainda que era o melhor colégio da cidade, do Estado. O CEI parecia algo inatingível, um sonho para poucos.
Pela graça de Deus, as barreiras que separavam não só eu , mas como todos nós concluintes, do acesso a uma educação como a que tivemos foram mais tênues do que as enfrentadas pela maioria dos outros.Quantos dariam tanto para estar entre nós...De diferentes formas e com os sacrifícios e insistências dos nossos pais superamos os desafios e ingressamos ,sem notar, num sonho.
Quando sonhamos dormindo, fica fácil notar que o que se passou não era real. Basta acordarmos para perceber que aquilo foi apenas uma fuga da mente para um estado de espírito em que se queria estar, mas não se podia estar no momento. Quando os vivemos, contudo, os sonhos são difíceis de serem percebidos. Só percebemos a grandiosidade do momento quando ele acaba. Parece estranho, pois sempre ligamos os sonhos a realizações que estão por vir, a aspirações futuras, dificilmente relacionamo-los a realizações que já se passaram.Todos esses últimos momentos que estamos passando juntos, entretanto, mostraram-se ser gradativos despertares. Aos poucos vamos acordando e vendo que o que vivemos aqui dentro e com as pessoas que conhecemos aqui foi mágico, grandioso, intenso, foi felizmente um sonho real.
Durante todo esse tempo, o nosso relógio de vida foi marcado pelo tempo colegial. Você pode não se lembrar, por exemplo, de nada que aconteceu no ano de 2004, mas vai lembrar-se com certeza do aconteceu de especial no ano em que você fez a sexta série. O comum é escutarmos, a minha irmã nasceu quando fazia segunda série, perdi meu avô na terceira série. Em todos esses exemplos é a escola que está marcando o tempo de nossas vidas, mesmo que inconscientemente. Não é apenas com nossos amigos que mantemos laços fortes. Muitos aqui presentes cresceram no CEI. Essa escola tem um valor sentimental que não dá para mensurar. É engraçado que, andando pelo colégio, todo mundo tem alguma coisa para contar sobre cada lugarzinho, cada corredor, cada sala, as conversas na pracinha. E é verdade. Cada espaço que compõe o CEI é repleto de causos. Essas estruturas vivenciaram transformações sociais, modificações na forma de pensar, educar, sempre com a vitalidade e coragem que a juventude de seus 37 anos lhe permitiram.
Quando precisamos o Colégio, na forma de seus mestres, diretores, coordenadores, esteve ao nosso lado, presente. Mesmo que na hora não percebêssemos, sabemos que as ações visavam unicamente o nosso crescimento. Isso fica claro quando percebemos que o sucesso da Instituição depende diretamente do nosso sucesso.Nunca houvera motivo sábio para torcerem contra nós, como muitas vezes queríamos acreditar. Havia sim, motivos para que quisessem abrir nossos olhos, nos fizessem querer vencer, querer superar nossos piores inimigos, nós mesmos.
Pois sim, o CEI sempre inabalável, seguro, sólido, e que desse modo nos fez crescer. Agora também passa, como nós, por uma transição. É impossível não pensar que talvez sejamos a última turma una a estar se formando nos quadros do colégio. Próximo ano, não só uma placa carregará os nomes dos nossos concluintes. Reuniões as pressas durante o ano e o semblante preocupado dos mestres em sala, nos mostravam a apreensão, incerteza e delicadeza que o momento trazia.
Tristeza, nostalgia, medo do que o Colégio está por passar?Não foram esses os valores que o CEI nos ensinou. E não são com esses sentimentos que o colégio sobreviverá. Sustentar as bases sólidas em que a instituição foi arcada pode até não ser fácil, muita gente vai estar torcendo contra, aproveitando o momento turbulento. Mal sabem eles quais são nossos verdadeiros patrimônios. Não são Prédios, fachadas ou mesmo O Nome que nos fazem o que somos. Assim como eu sou Túlio e Maria é Maria, existem vários outros Túlios e Marias por aí. O que nos identifica é o que somos por dentro. E o conhecimento que corre por dentro dessa instituição é o que a diferencia. Somos nós, Mestres e alunos que a construímos. Onde estivermos, dentro de nós, carregaremos com orgulho os ensinamentos e valores de termos sido CEI; aqui dentro, na forma dessa Placa, permanecerá fincado o orgulho que essa Instituição tem de ter nos formado. Hoje , entregues por vocês, nos sentimos prontos para os novos desafios e sonhos em que iremos mergulhar . Esperamos, pelo carinho de termos feito parte dessa história, que o CEI também esteja pronto para superar seus percalços.
A Turma Margarida de Fátima Bilro da Silva, hoje homenageia a todos os que formam o Centro de Educação Integrada. A vocês, nossa eterna gratidão.

Muito Obrigado

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Retomando

Depois de um conturbado período de quase dois meses de inatividade, esse blog vai voltando aos trabalhos.E espero que com mais inspiração e atrativos, já que vou ter de trazer de volta os leitores que perdi. Uma novidade é a primeira enquete do blog, logo aqui do lado.Respondam com sinceridade.
Muita coisa aconteceu nesse tempo, e ficou difícil de organizar idéias para escrever aqui. O que não significa que tenha deixado de escrever para organiza-las quando precisei.
O vestibular atrapalhou um pouco, mas espero que os esforços sejam recompensados.
Agradeço aqueles que mesmo sabendo que eu não estava escrevendo, acessavam na esperança de ver algo novo, os mesmos que me enchem o saco para escrever mais e não deixar esse espaço abandonado.

É bom estar de volta.

domingo, 4 de outubro de 2009

Das Marionetes

Há divergências sobre a origem do teatro de Marionetes, ou marionetas, como preferirem. Indícios supõem que essa forma de arte pode ter surgido contemporaneamente tanto na Franca quanto na China.Foi nesse ultimo, no entanto, que a arte mais se desenvolveu, atrelando-se a óperas em grandes espetáculos públicos. Contudo não e' meu objetivo fazer um ensaio científico acerca do assunto. Proponho uma analise simbólica do teatro.
O período que as marionetes vão surgir, tanto na China quanto na Franca (Século XVI, XVII), caracterizam-se pelo domínio de certas instituições sobre a vida privada. Sejam governos, seja a igreja, regras eram impostas a sociedade para que ela permanecesse com sua ordem social inalterada. Essas regras ou dogmas eram como os fios que mantinham o povo de fantoche, sob controle. Assim,o teatro de marionetes surge como uma representação simbólica desse domínio,mas que ao invés de alertar o povo contra a subjugação, ludibriava-o, pois era com essas peças que procurava-se entreter as mentes revolucionárias .Os fios,porém, eram tão perceptíveis que o povo uma hora dar-se conta, percebe e sente os efeitos do domínio,se revolta e corta os fios grossos que o controlavam.
Acha difícil encontrar marionetes no mundo de hoje? Acho que você não se considera uma, não e’?
O que mais vejo e' a história do Pinóquio às avessas. Nessa, e' o homem que vai virando madeira. E não e' uma doce fada madrinha que realiza essa transformação. Mídia, governos, Pessoas nos manipulam, ou tentam, o tempo todo. São nossos Mestres de marionetes.
Esses fios, ao contrario do nosso outro exemplo, na maioria das vezes são quase que imperceptíveis. Não se sente a transição da pele para a celulose. Não percebemos que pertencem ao mestre os sons que saem da nossa boca. Nossas gírias, nosso discurso, agora são as gírias e o discurso dele.Não sentimos os finos fios que movem nossas articulações e nossos atos, pois já não sentimos mais nada, somos madeira, e madeira morta.
Os olhos, os ouvidos, o sorriso, tudo está muito bem desenhado numa beleza mística, mas por dentro não há nada alem da maciça madeira podre.
Quando acaba o espetáculo, as vaias ou aplausos parecem ser para os fantoches, mas são na verdade para o Mestre. Nós , voltamos ao caixote onde somos guardados, reduzidos a insignificância que não notamos. Inertes, incapazes, indefesos.
Um dia o Mestre se cansa da gente, ele precisa de truques novos para agradar o seu exigente público. Tira você do seu confortável caixote e te coloca na fogueira.
E' só agora que você percebe o que era. Mesmo sem vida, no fogo a madeira estrala, agoniza, percebe como e para que foi usada. Consegue lembrar-se da vida humana que viveu, e poderia ter vivido mais se não fosse tão fraca em seus princípios. Mas já e' tarde, embora arrependida o que foi feito não muda. Agora somos só Cinzas.